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AQUECIMENTO GLOBAL É NATURAL? VEJA MITOS E VERDADES SOBRE A CRISE DO CLIMA NO PLANETA

Evidências científicas consistentes e robustas indicam que as atividades humanas têm causado o aquecimento global, mas ainda há quem ignore os fatos e dê ouvidos para teorias negacionistas.


Recordes sucessivos de temperatura, mudanças nos ciclos das chuvas e aumento dos eventos extremos são realidades impossíveis de serem negadas e que confirmam o consenso científico sobre as mudanças climáticas.

Apesar dos dados e dos fatos, há ainda argumentos negacionistas que empurram a crise do clima para um horizonte de falsas dúvidas ou de pura desinformação. Por isso, veja abaixo a explicação sobre 10 mitos comuns e o que de fato é verdade sobre o aquecimento global, de acordo com os especialistas.



  1. Não há um consenso científico sobre as alterações climáticas

  2. O aquecimento global é um fenômeno natural e cíclico

  3. A crise do clima é irreversível e não tem nada que possamos fazer

  4. O planeta está esfriando, não aquecendo

  5. A Antártica está ganhando gelo, não perdendo

  6. O aquecimento global não vai influenciar significativamente o Brasil

  7. Podemos poluir à vontade por que as plantas precisam de dióxido de carbono

  8. O desmatamento não contribui para as mudanças climáticas

  9. Nunca existiu esse tal de buraco na camada de ozônio

  10. A Terra (e os humanos) vão se adaptar ao aquecimento global sem problemas



MITO: Não há um consenso científico sobre as alterações climáticas

Esse é um mito clássico e, por isso, vamos começar por ele.

Por mais que um ou outro pesquisador possa argumentar o contrário, evidências científicas consistentes e robustas indicam que as atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, têm causado o aquecimento da superfície terrestre e dos oceanos, resultando em impactos significativos no clima global.

De acordo com uma pesquisa da Cornell University que analisou estudos publicados entre 2012 e 2020, mais de 99% dos cientistas climáticos reconhecem que as mudanças no nosso clima estão acontecendo e são causadas pelo homem.

Essa conclusão contrasta inclusive com uma pesquisa de 2013, que mostrava que 97% dos estudos entre 1991 e 2012 (revisados por pares) apoiavam a ideia de que as atividades humanas estão alterando o clima, destacando a diminuição significativa das vozes céticas. Somado a isso, diversas sociedades científicas internacionais, como a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Royal Society do Reino Unido (uma das principais instituições científicas do mundo), a Academia Brasileira de Ciências, entre diversas outras entidades, expressam em declarações públicas o consenso de que as mudanças climáticas observadas são extremamente prováveis devido a atividades humanas.


Nesse site do governo da Califórnia, por exemplo, há uma lista de mais de 200 organizações do tipo.

Além disso, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, reforça a conclusão de que as atividades humanas, especialmente as emissões de gases de efeito estufa, são o principal impulsionador das mudanças climáticas. O órgão é reconhecido mundialmente como a fonte mais confiável de informações sobre o clima.

O fato é que o uso de combustíveis fósseis está impulsionando de forma esmagadora o aquecimento global. A temperatura global da superfície aumentou mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos durante os últimos 2000 anos.

E para manter o aquecimento em 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, as emissões de gases de efeito estufa devem ser reduzidas de forma profunda, rápida e sustentável em todos os setores.

Estação Geradora de Petersburg, no estado americano de Indiana, é uma das diversas usinas a carvão dos Estados Unidos. — Foto: AP Foto/Joshua A. Bickel

❌ MITO: O aquecimento global é um fenômeno natural e cíclico

Esse argumento tem como tese o seguinte ponto: flutuações no clima do nosso planeta sempre existiram e ocorrem durante alguns períodos. Depois passam e tudo bem!

Tudo bem, é verdade que o clima da Terra sempre passou por oscilações, mas o que está acontecendo atualmente difere significativamente das variações climáticas naturais e cíclicas do passado.

Nos últimos 150 anos, houve um aumento significativo nas temperaturas globais. Como resultado disso, o mundo está agora cerca de 1.1ºC mais quente do que estava no final do século XIX. Esse aumento é descrito como súbito e muito rápido em comparação com as variações climáticas históricas.

"Temos vasta base para afirmar que atividade solar e vulcânica não são a causa do atual aquecimento global", diz Karina Bruno Lima, doutoranda em Climatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Aliado a isso, ao contrário das variações climáticas anteriores, o atual aquecimento está ocorrendo simultaneamente em todo o mundo.

Para termos ideia desse ineditismo, o período mais quente dos últimos dois milênios ocorreu no século XX em 98% da superfície da Terra, um forte indício de que a causa do aquecimento é de origem humana.


"Se estamos colocando mais CO2 na atmosfera (principalmente pela queima de combustíveis fósseis) temos retenção de calor na troposfera - e o resultado disso é o aquecimento do planeta. Negar isso é negar física básica", acrescenta Lima.


❌ MITO: Crise do clima é irreversível, não podemos fazer nada

Embora já tenhamos causado mudanças significativas no clima, tomar medidas agora pode sim influenciar positivamente o futuro climático.

O problema é que ao menos que ações mais efetivas sejam tomadas, o aumento da temperatura pode atingir os preocupantes índices de 2,5°C a 2,9°C acima dos níveis pré-industriais, indo muito além das metas do Acordo de Paris, como mostrou um recente relatório da ONU.

Protestos de estudantes belgas contra aquecimento global ganham força em Bruxelas - Yves Herman Foto: Reuters

Mas reduzindo as emissões humanas de gases de efeito estufa, podemos sim frear o aquecimento global.

É verdade que se parássemos todas as emissões de gases que causam o aquecimento global hoje (o que é muito difícil de acontecer), a temperatura do planeta ainda subiria por um tempo porque há muito calor guardado nos oceanos. Mas, quando esse calor extra sair para o espaço, a temperatura da Terra pararia de subir e ficaria estável.

Além disso, os processos naturais do nosso planeta começariam a remover gradualmente o excesso de gases poluentes da nossa atmosfera, resultando em uma diminuição gradual das temperaturas globais.


❌ MITO: O planeta está esfriando, não aquecendo

O impacto do aquecimento global não significa apenas ondas de calor, mas, sim, desequilíbrio nas dinâmicas do planeta.

E os eventos extremos estão sendo "potencializados pelas mudanças climáticas" e isso é inquestionável, segundo cientistas e especialistas de todo o mundo, incluindo o IPCC.

Se a temperatura global subir 1,5°C, ainda conforme o IPCC, haverá mais ondas de calor e estações quentes mais longas. A 2°C, o calor extremo terá impactos devastadores na agricultura e saúde. Mudanças em umidade, ventos, neve, gelo, áreas costeiras e oceanos afetarão regiões de maneiras diferentes.

Além disso, é preciso ressaltar que mudanças diárias e padrões climáticos continuam trazendo dias frios. Eventos como La Niña, por exemplo, afetam bastante o clima, tornando algumas áreas mais úmidas ou invernos mais frios.


❌ MITO: A Antártica está ganhando gelo, não perdendo

Um estudo recente revelou que mais de 40% das plataformas de gelo da Antártida encolheram desde 1997, e quase metade delas não mostra "nenhum sinal de recuperação".


E isso também é resultado do aquecimento global, que está fazendo a água do oceano aquecer e o gelo derreter.

Iceberg - Wix

❌ MITO: O aquecimento global não vai influenciar significativamente o Brasil

O aquecimento global pode sim influenciar significativamente o nosso país. Um exemplo disso é a Amazônia. Há muito tempo cientistas do clima observam uma perturbação significativa no bioma, causada principalmente pelo desmatamento, queimadas e mudanças climáticas. Com isso, secas se tornaram mais longas e frequentes na região.

Essa retirada da cobertura floresta também vem enfraquecendo os "rios voadores" do bioma, os fluxos de água que distribuem umidade por toda a América do Sul.


Se nada for feito para conter o desmatamento e as queimadas, uma perda de, no mínimo, 50% da floresta no sul, leste e centro da Amazônia é esperada. Os cientistas chamam isso de "ponto de não retorno", algo que pode acontecer entre 30 e 50 anos;

Isso acarretaria um aumento de cerca de 4ºC na temperatura do bioma e levaria a uma savanização da Amazônia. O bioma ficaria parecido com um Cerrado degradado.

Por causa disso, períodos de seca seriam ainda mais frequentes e longos na região. Com consequência do enfraquecimento dos rios voadores, menos chuvas ocorreriam na bacia do rio Paraná e em grande parte do centro-oeste do Brasil.

O risco do aquecimento é global, as mudanças climáticas são globais e elas aumentam muito o número de eventos climáticos extremos, recordes de eventos como ondas de calor, secas pronunciadas, chuvas muito intensas, fogo na vegetação, aumento das ressacas. Tudo isso que já está acontecendo globalmente e em todo o mundo, inclusive no Brasil. — Carlos Nobre, pesquisador referência internacional nos efeitos das mudanças climáticas,


❌ MITO: Podemos poluir à vontade por que as plantas precisam de dióxido de carbono

É incontestável que as plantas necessitam de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa presente em abundância na Terra, para sustentar sua vida.

Contudo, a questão crucial reside no fato de que, embora dependam do CO2 e sejam capazes de armazená-lo, as atividades humanas estão impulsionando as mudanças climáticas de forma acelerada, anulando quaisquer vantagens proporcionadas à vegetação.

Em resumo, enquanto as plantas precisam de CO2, o excesso gerado pelo homem contribui significativamente para o aquecimento global, superando quaisquer benefícios para as nossas florestas.


"Com aquecimento global, você tem um aumento enorme dos eventos extremos, por exemplo, secas que quebram safras, ondas de calor que quebram muitos safras e até mesmo tempestades muito intensas que afundam áreas de cultivo e também destróem safras. É um fator muito mais grave do que esse aumento da fotossíntese pela concentração maior de gás de efeito estufa", acrescenta Nobre.

❌ MITO: O desmatamento não contribui para as mudanças climáticas

De acordo com um estudo do Observatório do Clima, o desmatamento das nossas florestas em 2022 foi responsável por 48% do total de emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de Carbono (CO2) e o metano (CH4).

Entre 2003 e 2019, por exemplo, a invasão e o desmatamento, somente no caso de florestas públicas no Brasil, emitiram quase 2 bilhões de toneladas de carbono, conforme também divulgado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

VÍDEO: Amazônia pode atingir ponto de não retorno em 2029; entenda o que isso quer dizer


❌ MITO: Nunca existiu esse tal de buraco na camada de ozônio

O buraco na camada de ozônio é um problema que está sendo atenuado graças a ações internacionais significativas nos últimos anos. Hoje em dia, o tema não é mais tão abordado não por falta de ameaça, mas devido à eficácia no combate às suas causas.

Um estudo recente, porém, mostrou que o buraco sobre a Antártica cresceu nas últimas duas décadas, mesmo com a proibição de substâncias prejudiciais. Embora o impacto atual da emissão desses gases seja considerado baixo para a camada de ozônio, um aumento contínuo dessas concentrações poderia comprometer o progresso do Protocolo de Montreal, assinado inclusive pelo Brasil.

Desde a assinatura do tratado, o uso de clorofluorocarbonos (CFCs) em todo o mundo caiu vertiginosamente. Estima-se que cerca de 99% dos compostos químicos que destroem a camada de ozônio foram completamente eliminados da atmosfera desde o banimento dos CFCs, utilizados principalmente em sprays, equipamentos de refrigeração e em espumas.

No Brasil, por exemplo, uma resolução de 2000 proíbe a utilização dessas substâncias em diversos equipamentos, instalações e produtos, sejam esses nacionais ou importados.

❌ MITO: A Terra (e os humanos) vão se adaptar ao aquecimento global sem problemas


O clima está mudando mais rápido do que humanos, plantas e animais podem se adaptar. Espécies e ecossistemas já estão perto ou além de seus limites de adaptação.

Em resumo, a ONU diz que a adaptação sozinha não é suficiente, pois a capacidade humana para isso é bastante limitada.


Fonte:G1.com


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